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Café para acordar e calmante para dormir - o glamour do stress no trabalho e nas relações

Parece que virou rotina não se ter tempo. Ou, quando se tem tempo, não estar relaxado. O ócio e a capacidade de libertar a agenda para simplesmente não fazer nada junto de quem amamos - e isso já é fazer tanto - são cada vez mais raros no nosso cotidiano.


Parece que virou rotina não se ter tempo. Ou, quando se tem tempo, não estar relaxado. O ócio e a capacidade de libertar a agenda para simplesmente não fazer nada junto de quem amamos - e isso já é fazer tanto - são cada vez mais raros no nosso cotidiano. Mas será que foi sempre assim?

A série de TV inglesa Downton Abbey, lançada em 2010, conta a história de uma aristocrática família do Reino Unido, os Crawley. A série passa-se em 1912 e em determinado momento, a família, que tem uma verdadeira legião de empregados, e como principal tarefa organizar jantares, cavalgar e descansar, depara-se com um primo que exerce a função de advogado. Eles ficam perplexos, não sabem o que é trabalhar. A matriarca da família chega a perguntar: o que significa final de semana? De tão distante da nossa realidade, a cena chega a ser cómica. Mas não deixa de ser interessante pensar numa época, ou sociedade, em que o ócio era o grande luxo e que o trabalho - fosse ele físico ou intelectual - era visto como uma parte menor do que poderíamos fazer com o nosso tempo.

Hoje, os valores transformaram-se e, ainda bem, vivemos tempos em que para além do exercício do trabalho ser enaltecido, as pessoas procuram trabalhar cada vez mais com o que gostam, o que deixa tudo mais divertido e instigante.

Mas estamos também a viver uma era em que é vergonha estar disponível e existe uma romantização da falta de disponibilidade. Aquele amigo que falta a todos os eventos sociais por trabalhar demais logo é logo visto como bem-sucedido. A chefe que chega antes de todos e sai tarde, à noite do trabalho é idealizada. Equipas que trabalham nos finais de semana são vistas como mais produtivas. E, pouco a pouco, temos o glamour do stress instalado nas nossas cabeças, com um mindset de crescimento voltado para esse perfil: alguém sem tempo, não presente, que não dorme e não descansa. E, quando percebemos, estamos a tomar café para acordar, calmante para dormir e o som que mais amedronta na vida é o do despertador.


Pausa. Respire.


Talvez tenhamos esquecido de como se descansa. Sem telemóvel, sem música, filmes e séries no streaming. Aliás, pode até ter tudo isso, mas é importante que também tenhamos momentos de silêncio, em que possamos relaxar nossa mente e pensar em nada…

Querer suprir todo o tempo disponível com atividades do trabalho pode significar que você está a preencher alguma lacuna da sua vida com excesso de dedicação num determinado campo. Além de respirar, que tal analisar a sua rotina e procurar encontrar espaços para investir em si e nas suas relações? O ócio criativo pode fazer muito bem, inclusive, para o profissional que você é.


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